Um dia desses, um colega recebeu um paciente terminal em seu consultório. Era um pastor com 16 anos, extremamente apático, não andava, não comia ou bebia. Os proprietários tinham uma grande estima pelo animal e já haviam tentado de tudo para vê-lo bem. Após alguns exames, meu colega percebeu que o animal tinha uma metástase intestinal muito evoluída e que cedo ou tarde, a única opção seria sacrificá-lo. Diante desse prognóstico, Dr. Fulano* ligou para os proprietários e propôs:
- D. Beltrana*, é Dr. Fulano*, veterinário.
- Oi Doutor, como está Rex*?
- Olha, não vou esconder, ele piorou bastante.
- Ah, doutor, não diga isso.
- Pois é, ele não responde a quimioterapia e a morfina já não surte mais efeito. O animal sente dores insuportáveis e o quadro só tende a piorar.
Ela faz um breve silêncio, suspira e diz:
- O que o senhor sugere doutor?
- Bem, só resta uma alternativa.
- Qual?.
- A eutanásia.
- Só isso?
- Somente.
- Ok, pode fazer doutor, se o senhor diz que só existe essa alternativa.
- Bem, se a senhora autoriza, vou fazer então.
- Certo doutor.
O médico desliga o telefone e não tendo outra alternativa, abrevia o sofrimento do animal. Passadas 3h do último contato com Dona Beltrana*, o telefone toca.
- Alô, Petshop
Latindo Bem*, Dr. Fulano*, pois não?
- Oi Doutor, é Beltrana*. E ai, Rex* teve alguma melhora com a Eutanásia?
***
* Nomes fictícios para pessoas reais.