12 novembro 2011

Finada MELANCIA

Certo dia, o pai da minha mãe, vulgo meu avô, acordou com muita vontade de comer melancia. Até essa parte da história nenhuma novidade. Vovô toma café como quem almoça e almoça como quem não come há 40 dias. Fato é que o velho cidadão retirou a enorme cucurbitaceae da geladeira e procurou uma faca para, é lógico, cortá-la. Abriu uma, duas, três gavetas e nada. Irritou-se, praguejou contra empregada, contra o vizinho flamenguista e sua mulher chifreira, contra Lula e meia dúzia de políticos.
Eis que o filho de Uriel toma uma incrível decisão! Inspirado nos filmes de westerns spaghetti com Clint Eastwood, ele mira o fruto com o canto esquerdo do olho, respira fundo, fecha bem o punho e tasca o bufete* na finada partindo-a em três pedaços. A pretensão era comer meia melancia, mas só pelo esforço e a mal criação da empregada em esconder a faca, comeu a miserável pelo pé. Vovô adora contar essa história aos netos. Todo mundo ri, tira onda, mas acreditar mesmo... 
* murro ou soco dado com bastante força.

11 novembro 2011

Aconteceu em ACARI

Um pacato cidadão, trinta e poucos anos, pai de família e algumas cáries nos dentes, descobriu após conferir seu jogo de loteria, ter sido sorteado na quadra da Mega Sena. Feliz e sorridente, o mela cueca deu a notícia a mulher e aos filhos. Mal sabia ele pois que sua digníssima esposa, com medo de perder o bilhete assim como fez a tal da novela, colou a comprovação do prêmio na porta da cozinha. 
Temendo rasgar o papel deveras importante, o dito cujo arrancou a porta do lugar e foi, com porta e tudo, até a Caixa Econômica receber o prêmio. Na porta giratória, os vigilantes perguntaram ao sujeito que marmota era aquela, no que ele apontou com o indicador para o bilhete. Reza a lenda que ele recebeu o dinheiro. Reza a lenda que a história é verdadeira. Mais uma da série: Quem me contou foi minha querida tia que nasceu morta!

09 novembro 2011

Escurinho
Por Marcos Bezerra

- Que foi menino? Achou dinheiro ou comeu bosta?
A pergunta era um dos bordões do sapateiro Escurinho, lá no Caicó arcaico; como se as duas coisas fossem igualmente bem vindas e merecedoras de um sorriso franco. E nós, moleques, só para ouvir a explosão de nosso mestre Lunga, em sua pequena loja de consertos na Praça da Liberdade, ficávamos cutucando um ao outro e rindo sem motivo algum. 
Escurinho ia inchando no seu banquinho baixo de couro, tirava a atenção do calçado em reparo entre as pernas, olhava sério para os garotos entrando na adolescência, passava a faca afiadíssima nos cabelos encarapinhados e tascava o questionamento clássico. Aí é que a risadagem vinha com gosto.
Num tempo em que o politicamente correto era algo incerto e não sabido, a gente ainda aumentava a conta, dizendo que a faca soltava faíscas no cabelo de pixaim. O próprio apelido – não lembro de ter escutado algum dia alguém chamando Escurinho pelo nome –, hoje seria condenável, mas àquela época era comum entre os negros. Coisa da infância e que o nosso interlocutor, além de não se incomodar, demonstrava muito gosto por ele. Nas nossas maledicências de menino, dizíamos que o sapateiro era racista, por ter se casado com uma mulher branca.
Escurinho morreu em consequência de um câncer na garganta. Não lembro o ano, mas do nosso último encontro, quando ia chegando a Caicó para fazer uma matéria. Avistei o homem que, enquanto trabalhava, recebia a meninada praticamente todos os dias para conversar miolo de quartinha; pedi para o motorista parar e fui lá apertar a mão dele. Já não era o negro forte e entroncado que pedalava uma bicicleta impecavelmente polida e cheia de enfeites. “Escurinho, com tantos enfeites essa bicicleta não fica muito pesada?”. E ele: “Eu não vou carregar na cabeça!
Marrrco [puxando o “r”] está muito importante. Virou jornalista, aparece na TV”, contou-me depois Giovanni, um dos agraciados com o mau humor engraçado do sapateiro.
Lembrei dele esta semana, não pelo câncer ter virado pauta obrigatória, com a descoberta de um tumor na laringe do ex-presidente Lula, mas pela frase que abre estas mal elaboradas linhas. Meu chefe, em dia de humor escasso, me encara numa reunião de trabalho. E eu, com vontade de rir, lembro o passado. “Que foi?”. Ele não conhecia, pelo menos não até hoje, o resto da frase. Completei no pensamento e fiquei me segurando para não rir. Ninguém na reunião deve ter entendido.
Se algum mal humorado atravessar o seu caminho, pergunte-lhe o motivo de tanta casmurrice com a vida. Ela é curta e só se vive uma vez. Mau humor, só se for para divertir, como bem fazia o mestre sapateiro Escurinho.

06 novembro 2011

C-U-R-T-A

Camarada indignado com a falta de água em sua residência, vai até o escritório da CAERN (Companhia de Águas e Esgotos do RN) e diz para o funcionário:
- Ô cidadão, não é possível que morando em frente a CAERN faça duas semanas que não chegue água lá em casa!
O funcionário de longa data, besta feito menino de favela responde:
- Por isso não amigo, a vida de um burro que moro em frente ao Banco do Brasil e vivo liso...
Ah coisa engraçada!!!

05 novembro 2011

Rapadura NEWS (#037)

(Fonte: Diário de Natal, 03/11/2011)

Mais um da série "orgulho de ser potiguar":


Realmente dá um orgulho danado saber que um garotinho daqui segue firme na seleção de crianças para o novo DVD da Xuxa! Eu não ficava orgulhoso assim desde que Regina Casé descobriu Tom do Cajueiro embaixo do maior cajueiro do mundo!

Cidade provinciana! Você encontra aqui! 

Lá do Pitombas!

Piada SEM GRAÇA

Na sala de aula a professora pergunta a Joãozinho: 
- Joãozinho, o que você quer ser quando crescer?
-Eu quero ser milionário. Quero frequentar os cabarés mais caros, pegar a puta mais cara, dar um carro de um milhão de reais pra ela e uma mansão em Natal.
-E você, Margarida?
- Eu quero ser a puta do Joãozinho.

03 novembro 2011

Missão TANQUE

Ele aproximou-se do tanque incrédulo. Insetos sobrevoavam pratos ainda sujos da noite passada. Talvez formigas gostem mais de lasanha que de hortaliças, pensou. Abriu a torneira, respirou fundo e lavou um pequeno copo escondido entre duas panelas. Aquele copo simbolizava o início daquele que seria decididamente um desafio. Ele praguejou contra a diarista, desejou uma dor de barriga ou quem sabe que seu noivo/marido/namorado broxasse duas noites seguidas.

Dois pratos limpos! Massa! Ainda faltavam uns seis ou sete! Como dois moradores sujam tantos pratos, copos e talheres? Lembrou do tempo em que era apenas um adolescente e seus pais pagavam uma doméstica 24h. Bons tempos aqueles! Ele sujava, ela lavava. Simples assim. Pagando meus pecados, sussurrou. No meio da missão, um rastro de sangue mistura-se com a água. A porra do liquidificador!. Ele odeia lavar liquidificador. Um corte pequeno, mas incômodo!
 
Ele lavou, mas não enxugou...

02 novembro 2011

O Sexo

Millôr Fernandes

O sexo é uma coisa que todo mundo tem, só com a diferença que nas mulheres é feminino e nos homens é masculino. É uma coisa que quando a gente quer saber mais sobre, a mamãe manda perguntar ao papai e o papai diz que depois explica. 

Eu já sei também que o sexo é uma forma de energia para fazer funcionar as companhias telefônicas, porque noutro dia minha tia disse que se não existisse ele (sexo) os telefones do mundo não funcionavam nem a metade.

01 novembro 2011

Ócio é FODA!


M-O-L-E-S-K-I-N-E

Depois de um final de semana deveras agradável em um lugar paradisíaco rodeando de amigos de longa data (antigamente denominados AADW), cheguei as seguintes conclusões:

1 - Eu parei no tempo. Continuo sendo/querendo ser o palhaço da turma. A diferença é que agora somente os "aderentes" riem das minhas piadas;
2 - Eu parei no tempo 2 - A missão. Quase ninguém bebe ou bebe pouquinho. É, talvez nesse sentido eles tenham evoluído. Talvez eu esteja errado, talvez esteja apenas sendo eu mesmo;
3 - Nossos churrascos agora tem carne de primeira e as azeitonas agora vem sem caroço! Não, não ficamos ricos, ficamos metidos mesmo;
4 - Antes a gente bebia Natascha, agora nós bebemos Absolut. Seria uma evolução? Depende do ponto de vista;
5 - Nossos papos eram engraçados/idiotas/nerds. Hoje só falamos de trabalho/imposto de renda e fraldas descartáveis;
6 - Antes a grana era curta e o difícil era juntar os centavos pra comprar bebida. Dava até mais gosto de beber. Era mais ou menos como a história da maçã...
7 - Antes éramos expontâneos, agora somos contidos; 
8 - Todo mundo andava de carona/busão/a pé/Ipanema. Agora cada tem seu carro (grandes merda!). Como é que a gente vai cantar junto o música do "elefante incomoda?";
9 - A amizade, creio eu, continua a mesma. O que mudaram foram os pontos de vista e a visão de futuro de cada um;
10 - Não é o lugar, são as pessoas que fazem a diferença.

Em tempo: essas observações não são um "reclame" ou muito menos um "desafabo" deste narrador. A pretenção é meramente corroborar uma tese que a há muito tempo rondava meus pensamentos: A de que AADW não existe mais!