30 abril 2012

Poesia POTIGUAR

Gilberto Costa
 
Guardo o travo na minha língua
De todo os gostos de eu pequeno.
O gosto das doces tamarindas
Umedecidas pelo sereno da chuva!
O gosto dos imbus! Dos canapus!
O gosto das cajaranas! Das bananas
Amadurecidas todas no pé!
O gosto dos juás! Dos trapiás!
Das tamboeiras de melancia
Cultivadas no roçado da muriçoca!

Trago na boca o sal da paçoca
De carne-de-sol assada,
Misturada com cebola e farinha!
O gosto salgado dos preás!
O gosto dos tamanduás!
O gosto torrado da galinha!

Sinto o cheiro nas narinas
De afogueado de batatas assadas
Nas labaredas de fogos na areia!
O cheiro de escaldado! De coalhada!
O cheiro de maxixada! De buchadaa!
O cheiro de jerimum caboclo!
O cheiro de cuscuz com coco!
O cheiro de fuçura de porco!
O cheiro de café coado no pano!
De café torrado com rapadura!
De café do bule para a quenca!
Tudo feito no fogo de lenha!

Hoje, no supermercado,
Minha língua não sente mais travo!
Hoje, vindo do inox, não sinto o gosto
Da mistura dos gostos da panela de barro!

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